Varejo em Campinas Aposta na Experiência: Contratações Disparam 164% com Foco em Profissionais Acima dos 50
Campinas, SP — A região de Campinas, no interior de São Paulo, registrou um expressivo aumento de 164% nas contratações no setor supermercadista entre 2024 e 2025, impulsionado por uma reorientação estratégica dos gestores que agora priorizam a experiência de profissionais acima dos 50 anos, ao mesmo tempo em que absorvem jovens em busca do primeiro emprego. A tendência, revelada por uma pesquisa da Associação Paulista de Supermercados (APAS) e confirmada por depoimentos de gestores locais à EPTV, afiliada da TV Globo, indica uma transformação demográfica no perfil do trabalhador do varejo, com as mulheres representando 71% das novas admissões.
O crescimento notável no número de vagas preenchidas sinaliza não apenas uma expansão do setor, mas uma mudança perceptível nas políticas de recrutamento. Enquanto a faixa etária de 17 a 25 anos continua a ser relevante, a valorização de candidatos com mais de meio século de vida profissional emerge como um fator distintivo. Gestores em toda a região apontam características como comprometimento, atenção aos detalhes e uma maior capacidade de socialização como diferenciais cruciais para a escolha de trabalhadores maduros. Essa preferência se traduz em ambientes de trabalho que cada vez mais abrigam um mosaico de gerações, desafiando paradigmas sobre produtividade e engajamento.
A Dinâmica Geracional no Ambiente de Trabalho
A convergência de diferentes gerações em um mesmo espaço de trabalho tem sido uma marca dessa expansão. Em Louveira, uma rede de supermercados com 30 vagas em aberto ilustra o cenário. Érica Zanelli Massa, assistente de recrutamento da unidade, detalha que os currículos chegam predominantemente de dois grupos: jovens com até 25 anos, sem experiência prévia, e indivíduos acima dos 50, que buscam recolocação profissional. A análise dos gestores aponta que, enquanto os mais jovens chegam com alta motivação e potencial de aprendizado, os mais experientes destacam-se pelo compromisso, menor taxa de absenteísmo e estabilidade.
As histórias individuais de profissionais como Edna Pinheiro, de 62 anos, e Fátima Cabral, de 68, exemplificam a resiliência e a contribuição da geração mais velha. Dona Edna, que recomeçou a vida após ficar viúva, encontrou no trabalho como operadora de caixa uma fonte de força e autoestima. Sua experiência reflete a percepção de muitos gestores sobre a dedicação e a persistência desses trabalhadores. Fátima Cabral, que voltou ao mercado de trabalho após dedicar a vida à família, compõe um contingente significativo em sua unidade em Campinas, onde 46% dos 210 funcionários têm mais de 50 anos. Doana Moda, diretora de marketing da rede, enfatiza que esses colaboradores tendem a ser "mais fiéis ao grupo, ficando por muito mais tempo" e exibindo maior paciência e discernimento.
Por outro lado, o jovem Pietro Alvez Soares, nascido em 2009, personifica a ambição e a busca por oportunidades da nova geração. Como empacotador, ele vê no emprego a chance de financiar seus estudos em Direito, um sonho que antes parecia distante. A presença de jovens como Pietro, buscando o primeiro contato com o mercado, coexiste com a experiência dos mais velhos, criando um ambiente de aprendizado mútuo e diversidade de perspectivas. Erlon Ortega, presidente da APAS, ressalta que essa interação é positiva, destacando que os profissionais acima dos 50 são "menos digitais e mais da conversa", enquanto os jovens, embora fluentes em tecnologia, buscam modelos de trabalho que ofereçam mais flexibilidade e liberdade, distanciando-se do tradicional regime de 44 horas semanais e férias fixas.
Implicações e o Futuro do Emprego no Varejo
A tendência observada na região de Campinas pode indicar uma reavaliação mais ampla das estratégias de recursos humanos no setor varejista. A valorização da experiência e do comprometimento de trabalhadores com mais de 50 anos não se limita a uma questão social, mas reflete uma análise técnica das necessidades operacionais. A estabilidade, a menor rotatividade e a capacidade de resolução de problemas, atributos frequentemente associados a profissionais experientes, são fatores que podem mitigar custos e otimizar o atendimento ao cliente em um setor de alta demanda.
Simultaneamente, a integração de jovens talentos, com suas aspirações por flexibilidade e inovações nos modelos de trabalho, impõe aos empregadores o desafio de adaptar estruturas e benefícios. A coexistência dessas duas vertentes demográficas sugere que o futuro do varejo poderá ser pautado pela construção de ambientes de trabalho híbridos, capazes de capitalizar tanto a solidez da experiência quanto a energia e a adaptabilidade da juventude. Essa dinâmica não apenas molda o presente do emprego na região de Campinas, mas projeta possíveis cenários para a gestão de talentos em todo o país, indicando uma reconfiguração da força de trabalho que equilibra longevidade profissional com as exigências de um mercado em constante evolução.
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