18/09/2026

Líder da Oposição quer obrigar presidente do Senado a decidir sobre impeachment do STF em até 30 dias

Líder da Oposição quer obrigar presidente do Senado a decidir sobre impeachment do STF em até 30 dias

Oposição Propõe Vínculo Temporal para Análise de Impeachments no Senado, Mirando STF

Brasília, 18 de setembro de 2026 – Em um movimento que pode reconfigurar as dinâmicas de poder entre os Poderes Legislativo e Judiciário, o líder da Oposição no Senado Federal, Rogério Marinho (PL-RN), protocolou nesta sexta-feira um projeto de resolução que estabelece um prazo de 30 dias úteis para que o presidente da Casa decida sobre a aceitação ou rejeição de pedidos de impeachment de diversas autoridades, notadamente ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa, que busca cercear a discricionariedade atualmente exercida pelo cargo, atualmente ocupado por Davi Alcolumbre (União-AP), surge em um contexto de crescente tensão política e debates sobre os limites da atuação de cada esfera estatal.

A proposta de Marinho visa preencher uma lacuna regimental, ou, a depender da interpretação, modificar uma prerrogativa tradicionalmente atribuída ao presidente do Senado. Historicamente, a decisão sobre o prosseguimento de pedidos de impedimento, especialmente aqueles dirigidos a membros da mais alta corte do país, tem sido uma prerrogativa solitária do presidente da Casa, sem um prazo definido para manifestação. Essa condição permitiu que dezenas de pedidos fossem arquivados tacitamente ou simplesmente ignorados ao longo de anos, gerando críticas de setores que defendem maior celeridade e transparência na tramitação dessas solicitações. A resolução, se aprovada, imporia uma nova rotina ao trâmite, forçando uma deliberação formal em um período determinado, com impactos potenciais na governabilidade e nas relações institucionais.

O Contexto da Proposta e o Poder do Presidente do Senado

A apresentação do projeto de resolução não é um evento isolado, mas sim o mais recente capítulo em uma série de embates travados entre segmentos do Poder Legislativo e o Supremo Tribunal Federal. Nos últimos anos, decisões da Corte têm sido objeto de intensos debates e, por vezes, de severas críticas por parte de parlamentares, que as interpretam como avanços indevidos sobre as competências do Legislativo e Executivo. O mecanismo do impeachment, nesse cenário, é visto por parte da oposição como uma ferramenta constitucional para o controle e equilíbrio entre os Poderes.

Atualmente, o Regimento Interno do Senado não estipula um prazo para que o presidente se manifeste sobre pedidos de impeachment. Essa ausência de balizamento temporal confere ao presidente do Senado uma influência desproporcional sobre a pauta e a estabilidade institucional, dada a sensibilidade e o peso político de tais solicitações. A discricionariedade tem sido invocada por diferentes presidentes da Casa para evitar a abertura de crises políticas desnecessárias ou para proteger o funcionamento das instituições. No entanto, o lado oposto argumenta que essa prerrogativa, sem prazo, pode ser interpretada como uma forma de inação que impede o funcionamento dos freios e contrapesos democráticos.

A proposta de Rogério Marinho, ao estabelecer um limite de 30 dias úteis, busca transformar uma prerrogativa discricionária em um dever funcional com prazo vinculante. Para seus defensores, isso democratizaria o processo e forçaria o presidente a justificar suas decisões, seja pela aceitação, seja pelo arquivamento fundamentado, impedindo que os pedidos sejam simplesmente "engavetados".

Implicações Constitucionais e Cenário Político

A tramitação e eventual aprovação de um projeto de resolução dessa natureza enfrentariam obstáculos significativos e poderiam gerar profundas implicações constitucionais. Juristas e especialistas em direito constitucional divergem sobre a capacidade de um regimento interno ou de uma resolução legislativa de vincular a atuação de um cargo tão central quanto o presidente do Senado em um tema tão sensível quanto o impeachment. Há quem argumente que a discricionariedade, nesses casos, é intrínseca à função e visa resguardar a estabilidade democrática, evitando que o processo seja instrumentalizado politicamente. Outros sustentam que a omissão do regimento em estabelecer prazos não implica em uma licença para a inação eterna, e que o Legislativo tem a prerrogativa de auto-organização.

Politicamente, a proposta de Marinho lança uma luz sobre a persistente polarização no Congresso Nacional e o desejo da oposição de pressionar o Poder Judiciário. A medida pode ser interpretada como uma estratégia para energizar a base aliada e demarcar posição frente ao governo e ao STF, especialmente em um período de antecipação de novas decisões judiciais com alto impacto político. A eventual aprovação da resolução dependeria de uma ampla articulação política, haja vista que ela afeta diretamente a autonomia de um dos postos mais poderosos do Congresso.

As consequências imediatas da apresentação da proposta incluem um aumento no debate público sobre os limites da judicialização da política e a efetividade dos mecanismos de controle inter-Poderes. A reação do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e dos próprios ministros do STF será crucial para delinear o percurso desse projeto. A medida, se aprovada, poderia alterar substancialmente o cálculo político de futuras decisões judiciais e legislativas, inserindo um novo elemento de pressão na já complexa relação entre o Senado e o STF.



Dólar opera em alta, com foco em política brasileira e preços do petróleo no exterior; Ibovespa cai

Dólar opera em alta, com foco em política brasileira e preços do petróleo no exterior; Ibovespa cai

Expansão Fiscal e Volatilidade Externa Pressionam Ativos Brasileiros; Dólar Avança e Bolsa Recua

O mercado financeiro brasileiro opera em clima de cautela nesta sexta-feira (18), reagindo a uma combinação de pressões domésticas e um cenário internacional instável. Por volta das 11h50, o dólar comercial registrava alta de 0,43%, cotado a R$ 5,1608, enquanto o Ibovespa, principal índice da B3, acentuava sua trajetória de queda, recuando 0,77% aos 184.557 pontos. O movimento reflete o desconforto dos investidores com o anúncio de reajuste no programa Bolsa Família e a vigilância sobre os preços das commodities e o rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

No epicentro das preocupações locais está o anúncio, realizado pelo governo federal na véspera, de um reajuste de 15% no benefício do Bolsa Família. A medida, que eleva o valor médio do repasse de R$ 675 para R$ 777, deve beneficiar aproximadamente 19,3 milhões de famílias a partir de 19 de outubro. Embora a equipe econômica sustente que a decisão visa recompor perdas inflacionárias acumuladas desde março de 2023, analistas de mercado e economistas do setor privado interpretam o movimento com ressalvas, apontando para potenciais riscos à trajetória da dívida pública e ao controle da inflação.

O Impacto Fiscal e a Reação Política no Cenário Doméstico

A execução do novo reajuste projeta um impacto imediato de R$ 5,8 bilhões nas contas públicas ainda este ano. Para 2027, as estimativas do Ministério do Planejamento indicam que o custo adicional deve atingir R$ 22,7 bilhões. A proximidade da implementação com o calendário eleitoral — os pagamentos começam entre o primeiro e o segundo turno das eleições — gerou um ambiente de ceticismo na Faria Lima. Especialistas alertam que a expansão de gastos sociais sem uma contrapartida clara de corte de despesas pode elevar o prêmio de risco exigido por investidores, pressionando a curva de juros futuros e dificultando o trabalho do Banco Central na ancoragem das expectativas inflacionárias.

O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, buscou minimizar o viés político da medida, afirmando que o reajuste foi possibilitado por um esforço de recadastramento e pela identificação de espaço fiscal disponível. Segundo Moretti, a decisão não possui relação com as eleições de 2026, sendo estritamente uma questão de justiça social e viabilidade técnica. Contudo, o cenário político permanece conflagrado; parlamentares de oposição já sinalizaram a intenção de acionar a Justiça Eleitoral, sob o argumento de que o aumento do benefício em período eleitoral poderia configurar abuso de poder econômico.

Adicionalmente, o governo sinalizou que estuda novas intervenções para mitigar o endividamento das famílias brasileiras, o que adiciona mais uma camada de incerteza sobre o papel do Estado na economia e os reflexos para o setor bancário e de consumo.

Conjuntura Internacional: Petróleo e Yields sob Observação

Enquanto o Brasil lida com seus dilemas orçamentários, o cenário externo contribui para a aversão ao risco. Os preços do petróleo, variável crucial para a inflação global e para o desempenho da Petrobras, operam em oscilação. Nesta sexta-feira, o barril do tipo Brent apresentava uma leve alta de 0,07%, negociado a US$ 104,89, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) subia 1,32%, aos US$ 103,26. A volatilidade ocorre após a Arábia Saudita sinalizar a oferta de volumes adicionais via Omã, uma tentativa de estabilizar o abastecimento global que, por ora, arrefeceu os temores de uma crise de oferta aguda.

Nos Estados Unidos, o mercado acionário opera no terreno negativo. Os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq registram quedas moderadas, pressionados pela alta nos rendimentos dos *Treasuries*. Quando os juros dos títulos americanos sobem, ativos de risco em países emergentes, como o Brasil, tendem a sofrer saídas de capital, o que justifica, em parte, a valorização do dólar frente ao real. Na Europa, o pessimismo é ainda mais acentuado, com as bolsas da Alemanha (DAX) e França (CAC-40) registrando perdas superiores a 1,4% no final da manhã.

Por outro lado, as bolsas asiáticas fecharam o dia majoritariamente em alta. O otimismo pontual na região é alimentado pela expectativa da reunião de cúpula entre os presidentes da China e dos Estados Unidos na próxima semana, além da recepção ao aumento da taxa de juros promovido pelo Banco do Japão, sinalizando uma normalização monetária após décadas de política ultraexpansionista.

Perspectivas e Implicações Macroeconômicas

A convergência desses fatores desenha um quadro de cautela para o fechamento da semana financeira. A análise técnica sugere que o real continuará sob pressão enquanto não houver maior clareza sobre como o governo pretende compensar o aumento de gastos do Bolsa Família dentro do arcabouço fiscal vigente. A desconfiança do mercado não se limita apenas ao montante nominal, mas à sinalização de que o rigor fiscal pode estar sendo flexibilizado em momentos de conveniência política.

Se a percepção de deterioração fiscal se consolidar, o efeito cascata poderá ser sentido em uma Selic (taxa básica de juros) elevada por mais tempo, encarecendo o crédito e desacelerando o crescimento do PIB. No plano externo, a dinâmica dos títulos americanos e a estabilização do petróleo serão os termômetros que ditarão se a pressão sobre o câmbio é um ajuste pontual ou uma tendência de revalorização estrutural do dólar no curto prazo. O equilíbrio entre as demandas sociais legítimas e a sustentabilidade das contas públicas permanece como o principal desafio da administração federal para manter a estabilidade econômica.



17/09/2026

Flávio Bolsonaro diz que não autorizou ação de Zé Trovão contra reajuste do Bolsa Família: 'Não concordo'

Flávio Bolsonaro diz que não autorizou ação de Zé Trovão contra reajuste do Bolsa Família: 'Não concordo'

Flávio Bolsonaro se Distancia de Ação Judicial Contra Reajuste do Bolsa Família em Meio a Tensões Eleitorais

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) publicamente desautorizou uma iniciativa de seu aliado, o deputado federal Zé Trovão (PL-SC), que buscou impugnar judicialmente o reajuste de 15,04% do programa Bolsa Família, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante uma transmissão ao vivo na noite de quinta-feira (17), Bolsonaro declarou que a ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não teve sua autorização e que ele não concordava com a medida, classificando-a como uma decisão "por conta própria" do deputado. O episódio, que expõe divergências dentro da oposição, desenrola-se em um cenário de intensificação do debate eleitoral sobre políticas sociais e gastos públicos, com o benefício reajustado já tendo a sua legalidade questionada e defendida por diferentes frentes.

A ação de Zé Trovão, que visava barrar o aumento do benefício – elevando o piso de R$ 600 para R$ 691 –, foi apresentada no TSE em um momento de acirrada disputa eleitoral. O presidente Lula, que concorre à reeleição, havia anunciado o reajuste, que a oposição prontamente classificou como uma manobra eleitoreira para angariar votos. Contudo, a tentativa de contestação legal por parte do aliado de Bolsonaro encontrou um obstáculo técnico antes mesmo de ter seu mérito avaliado, reverberando as complexidades jurídicas e políticas inerentes a programas sociais durante períodos eleitorais.

A Rejeição no Tribunal Superior Eleitoral

O ministro André Mendonça, relator sorteado para o caso no Tribunal Superior Eleitoral, rejeitou monocraticamente a ação protocolada por Zé Trovão. A decisão de Mendonça fundamentou-se em questões de ilegitimidade ativa do proponente, um candidato a deputado federal, para contestar uma medida envolvendo um candidato à Presidência da República. O ministro destacou que os cargos são disputados em circunscrições eleitorais distintas, o que inviabilizaria a legitimidade do deputado catarinense para tal ação, conforme precedentes da Corte.

É crucial notar que a rejeição não implicou uma análise sobre a legalidade ou a constitucionalidade do reajuste em si, nem sobre sua eventual conformidade com o artigo 73, parágrafo 10, da Lei nº 9.504/1997, que trata de condutas vedadas a agentes públicos em ano eleitoral. Mendonça explicitou em sua decisão que o reconhecimento da ilegitimidade ativa não representa um pronunciamento acerca da substância da matéria, mantendo em aberto a possibilidade de futuras discussões jurídicas, caso a ação fosse proposta por um ator com a devida legitimidade processual. Este aspecto sublinha a distinção entre a capacidade processual e o mérito da controvérsia, um ponto técnico fundamental na jurisprudência eleitoral.

Críticas Intensificadas e o Debate sobre o Impacto Econômico

Apesar de se desassociar da estratégia jurídica de seu aliado, Flávio Bolsonaro não poupou críticas ao reajuste do Bolsa Família, acusando o governo de Luiz Inácio Lula da Silva de tentar comprar votos com o aumento do benefício. Em seu pronunciamento, Bolsonaro questionou a eficácia do valor adicional de R$ 90,00 mensais para proporcionar uma melhora substancial na vida dos beneficiários, utilizando termos como "merreca" e "vergonha na cara" para se dirigir ao presidente. Ele ainda comparou o impacto da medida nas contas públicas com o desempenho de empresas estatais, sugerindo uma gestão fiscal irresponsável.

As críticas de Flávio Bolsonaro ecoam uma linha argumentativa já adotada por segmentos da oposição, que veem no reajuste uma instrumentalização do programa social para fins eleitorais. Mais cedo, em agenda na Bahia, o candidato já havia alertado os eleitores a não caírem em "mais uma falsa promessa da picanha", aludindo a promessas de campanha anteriores e argumentando que o decreto de reajuste seria ilegal e proibido durante as eleições. O novo valor, que começará a ser pago em 19 de outubro, estrategicamente posicionado entre um eventual primeiro e segundo turno da eleição presidencial, adiciona uma camada de sensibilidade ao debate.

Em resposta às acusações, o Ministério da Fazenda e o Ministério do Planejamento, por meio do ministro Bruno Moretti, afirmaram que o reajuste de 15,04% se trata de uma recomposição das perdas inflacionárias acumuladas nos últimos anos, e não de um aumento real do benefício. O governo argumenta que a medida não tem relação com as eleições e que a legislação que instituiu o novo Bolsa Família em 2023 autoriza o Poder Executivo a corrigir os valores dos benefícios, proibindo sua redução. A Advocacia-Geral da União (AGU) corrobora essa interpretação, indicando uma base legal para a atualização dos valores, reforçando a tese de que a ação governamental está amparada pela lei.

O episódio reflete a intensa polarização política e a vigilância sobre as ações do governo e da oposição no período eleitoral. A desautorização de uma ação judicial por parte de um candidato presidencial em relação a um aliado sublinha a complexidade das alianças e a necessidade de calibração estratégica em um ambiente de escrutínio público e jurídico. A rejeição técnica pelo TSE, sem adentrar o mérito da questão, mantém o debate sobre a legalidade e a moralidade de reajustes de programas sociais durante campanhas eleitorais como um ponto de tensão persistente, aguardando talvez uma contestação futura por meio de canais processuais adequados ou uma resolução nas urnas.