Fonte: Folha de S.Paulo - Em cima da hora - Principal
Achei barato demais. O artista italiano Salvatore Garau causou espanto por vender uma escultura invisível, autenticada por um NFT (token de bens não fungíveis), por R$ 90 mil.
Argumentou que não vendia o "nada" e sim "um espaço repleto de energia" e de "ar e espírito". Convenhamos, isto deveria valer muito mais.
Até porque a obra se chama "Eu Sou", o que pediria do seu autor mais autoestima. Há muitos nadas sendo vendidos, há muito tempo, por muito mais do que isso.
E sem tanto espanto. Uma sempre citada bolsa, por exemplo, pode valer uns milhões de reais.
Seus fabricantes alegam que o custo se deve ao demorado e meticuloso processo de produção. Mas analistas justificam o valor com uma retórica mais bonita: "[Não se] vende uma bolsa.
[O que se] vende [é] a história, o relacionamento, o "savoir-faire", o tempo, a raridade, (...) um símbolo, não um produto. [Vende-se] a relação com o tempo".
Traduzindo: um vácuo cheio de energia, ar e espírito, como o de Garau -só que com uma sacola de couro de brinde. Leia mais (01/25/2026 - 22h00)
Farra de Passagens: Gastos com Viagens no Governo Lula Chegam a R$ 5 Milhões por Dia em 2025
Análise detalhada aponta que despesas com deslocamentos e diárias já somam
R$ 1,41 bilhão este ano; montante supera em 80% os gastos do primeiro ano da
gestão anterior.
Enquanto o debate sobre o ajuste fiscal domina a agenda econômica em Brasília,
os dados do Portal da Transparência revelam uma realidade de cifrões elevados
no Executivo. Em 2025, a administração federal sob o comando de Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) tem registrado uma média de gastos com viagens e diárias
que beira os
R$ 5 milhões por dia.
Até o fechamento da última atualização em 17 de outubro, o montante total já
atingia a marca de
R$ 1,41 bilhão.
A Radiografia do Gasto: Doméstico vs. Internacional
Embora as viagens internacionais do presidente e da primeira-dama, Janja
Silva, atraiam os holofotes, a maior parte do custo operacional do governo
ocorre dentro das fronteiras brasileiras. Do total empenhado em 2025:
Viagens Nacionais:
R$ 1,21 bilhão (86% do total).
Viagens Internacionais:
R$ 192,8 milhões (14% do total).
Vale ressaltar que essas estatísticas englobam o corpo técnico e ministerial,
não incluindo as despesas diretas da Presidência da República e da
primeira-dama, que possuem rubricas orçamentárias específicas e, em muitos
casos, sob sigilo por questões de segurança.
Os Ministérios no Topo do Ranking
A estrutura administrativa atual, composta por 38 ministérios, reflete
diretamente na logística. O Ministério da Justiça e Segurança Pública,
liderado por Ricardo Lewandowski, encabeça a lista como a pasta com maior
volume de gastos, totalizando
R$ 339,9 milhões.
O pódio de despesas é completado por:
Ministério da Defesa:
R$ 220 milhões.
Ministério da Educação:
R$ 197 milhões.
Analistas apontam que a alta na Defesa e Justiça costuma estar atrelada a
operações de segurança e fiscalização, mas o volume total tem gerado críticas
sobre a falta de uso de ferramentas de videoconferência para otimizar o
erário.
Comparativo Histórico: A Escala do Aumento
A comparação com a gestão de Jair Bolsonaro (PL) evidencia uma mudança brusca
de patamar. No primeiro ano do mandato anterior (2019), o gasto anual foi de
R$ 1,26 bilhão. Em contrapartida, o primeiro ano da gestão Lula (2023) fechou
em R$ 2,28 bilhões — uma alta real de 80%.
Se observarmos o acumulado, os números são ainda mais expressivos. Nos quatro
anos do governo Bolsonaro, o total gasto com viagens foi de R$ 4,15 bilhões. O
governo atual, ainda no seu terceiro ano, já ultrapassou a marca de
R$ 6 bilhões. Projeções
indicam que, mantido o ritmo atual, a gestão Lula pode encerrar o ciclo com
gastos quase 50% superiores aos de seu antecessor, mesmo restando mais de um
ano para o fim do mandato.
Contexto e Justificativas
O governo defende que o aumento reflete a "reconstituição das relações
diplomáticas" e a volta de políticas públicas que exigem presença em
território nacional, além do maior número de ministérios criados na atual
gestão. Contudo, em um cenário de busca por equilíbrio nas contas públicas, os
R$ 5 milhões diários em passagens e hotéis tornam-se um ponto de pressão
política constante no Congresso Nacional.